Os mineiros web se seguem vendo com desconfiança, já que em muitas ocasiões as operações de minado se realizam sem obter o consentimento dos usuários. Nesta oportunidade, um grupo de investigadores norte-americanos conseguiram detectar uma modalidade supostamente usada pelo governo de Egito, para minar criptomoedas a expensas dos cidadãos de seu país com um método que resultaria quase imperceptível.

O estudo realizado pelo Citizen Lab da Universidade de Toronto tem atirado que o governo de Egito pôde ter-se aproveitado dos cidadãos de seu país para minar criptomoedas em segredo. Isto o puderam ter feito através de um método que os investigadores denominaram AdHose.

Este método se aproveitaria da principal empresa de serviços telefónicos do país chamada Telecom Egypt. Nesta rede, o governo pôde ter colocado middleboxes de inspeção profunda de pacotes (DPI) para redirecionar as conexões a internet dos cidadãos em direção a anúncios que continham um software de mineração web.

Conforme o estudo, a mineração com AdHose pôde realizar-se de duas maneiras, uma chamada ‘orvalho’ na que os usuários são dirigidos para anúncios curtos e outra denominada ‘gotejo’ na que se redigirem a sites que já não estão habilitados. O modo de orvalho é menos utilizado porque poderia ser descoberto com maior facilidade. No entanto, o método de gotejo está em funcionamento contínuo:

Encontramos middleboxes semelhantes num ponto de demarcação de Telecom Egypt. As middleboxes se usavam para redirecionar aos usuários através de dúzias de ISP para afiliar anúncios e sequências de comandos de mineração de criptomoedas do navegador. O esquema egípcio, que chamamos AdHose, tem dois modos. No modo de orvalho, AdHose redireciona aos usuários egípcios em massa aos anúncios durante curtos períodos de tempo. No modo de gotejo, AdHose se dirige a alguns recursos de JavaScript e websites desaparecidos para a injeção de anúncios. É provável que AdHose seja um esforço para arrecadar dinheiro encobertamente.

The Citizen Lab

A companhia canadense que desenvolveu este sistema tem nome de Sandvine. O AdHose serve também como ferramenta de censura para privar aos cidadãos de diferentes países o acesso a certas páginas de direitos humanos, notícias e política.

Em Egito, estes dispositivos estavam a ser utilizados para bloquear dúzias de websites de direitos humanos, política e de notícias, incluidos Human Rights Watch, Repórteres sem Fronteiras, Ao Jazeera, Mada Masr e HuffPost Arabi. Em Turquia, estes dispositivos estavam sendo usados para bloquear websites, incluindo Wikipedia, o website da Dutch Broadcast Foundation (NOS) e o website do Partido dos Trabalhadores do Kurdistán (PKK).

The Citizen Lab

A criptomoeda minada com mais frequência usando este método é monero (XMR), que geralmente é reconhecida por oferecer altos níveis de privacidade e que nas últimas semanas tem apresentado uma alta volatilidade em seu preço, possivelmente produto de uma próxima bifurcação que dará nascimento à blockchain de MoneroV.

O minado de criptomoedas em Egito por parte do Governo resultaria bastante polêmico, uma vez que no passado mês de janeiro, a primeira autoridade religiosa do país rejeitou o uso dos criptoativos para os fiéis porque, a seu julgamento, as criptomoedas vão contra das leis religiosas muçulmanas.

 

Traduzido de: CriptoNoticias