Na hora de valorizar as criptomoedas ponderando seus supostos benefícios ou preconceitos, as opiniões tendem ser diversas e divergentes.

Recentemente Eugene Kaspersky, CEO de Kaspersky Lab ofereceu declarações em torno á preparação da sociedade atual para receber de boa maneira as criptomoedas. De acordo sua visão, a humanidade terá que esperar ao menos 300 anos para valorizar com justiça estos importantes instrumentos financeiros.

Pareceria que, ainda quando a criação de Satoshi Nakamoto procura dar-lhe mais poder e liberdade ás pessoas, a humanidade não esta preparada, os preconceitos estão na ordem do dia, e embora a potencialidade e os projetos que já demostram o caráter positivo dos criptoativos, ainda ficam dúvidas, e os criptoativos parecem ser um elemento muito avançado para a atualidade do sistema mundo. Neste artigo reveremos os principais argumentos, tanto a favor como em contra, utilizados para defender ou condenar aos criptoativos de acordo ao uso que se lhes dão.

1. OS PIORES USOS

O mercado dos criptoativos cada vez tem maior reconhecimento a nível global, e com seu crescimento surgem às dúvidas sobre a forma na que se podem utilizar, já que devido à caraterísticas como o anonimato e inclusive seus altos níveis de segurança, como recursos sem fronteiras, em ocasiões têm servido como ferramentas para atividades delitivas.

Estes são alguns dos piores usos que se lhe têm dado a estas poderosas ferramentas.

1.1 CIBERDELITOS

Recentemente proliferou uma onda de ciberataques que significaram importantes perdidas de informação e dinheiro, isto detrás da difusão de vírus de computador do tipo ransomware – como WannaCry ou Petya- assim como com ataques DDOS. Não obstante, os criminosos não só tem atacado de maneira inescrupulosa base de dados de interesse, senão que têm aproveitado as características descentralizadas das criptomoedas para cobrar suas recompensas.

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Os ciberdelitos têm sido constantemente associados aos criptoativos.

– Hackeo por recompensa

De acordo com estimações, os custos por danos associados com ransomware se estimam entre 4 e 5 bilhões de dólares, só durante o 2017; cifra que supera ás de 2016 em 400%. Recentemente hackers fizeram retiros de fundos provenientes de um ataque ocorrido em maio do presente ano por uma montante equivalente a 140.000 dólares em BTC.

No passado mês de agosto chegaram ao mainstream, pois o mês começou com noticias sobre hackeos a HBO por a data da popular serie Game Of Throne, mas já antes, de maio a junho, se deu uma importante proliferação de ataques web contra empresas, bancos e entes públicos em todo o mundo. WannaCry foi o nome próprio de uma das mais significativas ondas de ataque deste ano, e da historia, que chegou a infetar 200 mil vitimas em ao menos 150 países. O denominador comum de muitos casos: os atacantes exigem pagamentos em criptoativos.

– Lavagem de dinheiro

Aproveitando as caraterísticas de anonimato e flexibilidade de algumas casas de câmbio de criptoativos, criminais têm podido mobilizar fundos de duvidosa procedência a este tipo de instrumentos de pagamento, o que permite que quantidades de fundos ilícitos, contidos em moedas fiat, puderam passar por a peneira da criptografia para branquear-se.

Recentemente o russo Alexander Vinnik foi capturado e acusado de 17 cargos de lavagem de dinheiro, após operar um esquema de contas dentro da plataforma de intercambio de criptoativos BTC-e, através do que teria feito circular cerca de 4.000 milhões de dólares de duvidosa procedência.

1.2 Fraudes

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Ruja Ignatova, CEO de OneCoin, acusada de engano em Índia.

No meio do florescimento do mercado de criptoativo, que este 2017 tem tido um crescimento sumamente significativo, muitos têm sido os que, de maneira inescrupulosa, têm intentado utilizar o êxito das criptomoedas para lucrar-se indevidamente, criando esquemas piramidais que oferecem uma capitalização e comportamento de mercado semelhante aos projetos mais sucedidos do criptomercado como Bitcoin.

Assim, existem casos como os de Kriptacoin em Brasil, denunciado recentemente, ou o mais difundido a nível internacional de OneCoin, cuja CEO, Ruja Ignatova, foi acusada pela Policia de Navi Mumbai, em Índia, por as operações fraudulentas do esquema Ponzi, que teria enganado a milhares de investidores até coletar a soma de 750.000.000 de rupias, o qual seria cerca dos 11.632.984 dólares.

Isto sem falar das Ofertas Iniciais de Moeda (ICO), que enquanto tem revolucionado os métodos de arrecadação monetária, coletando a cifra não desprezível de 2.4 bilhões de dólares no que vai do ano, também tem desatado as alarmes a nível internacional, pois muitos dos projetos se têm valido da proliferação deste tipo de inversões para enganar incautos.

1.3 TERRORISMO

De acordo com uma publicação do Royal United Services Institute (RUSI), o governo indonésio expressou em janeiro deste ano, que Bahrun Naim, membro de ISIS, enviou bitcoin a outros militantes do grupo extremista no país asiático, evadindo qualquer possibilidade de ser rastreado no sistema financeiro através do emprego deste método de pagamento.

Naim haveria utilizado o serviço de pagamento em linha Paypal, bem como Bitcoin, para transferir dinheiro a seus companheiros de armas e assim financiar algumas das atividades associadas ao grupo terrorista. Da mesma maneira, a Densus 88 (uma força especial dedicada ao contra-ataque terrorista) teria descoberto no final do ano passado uma serie de novas células terroristas locais também ligadas ao Estado Islâmico de Iraque e Síria, trabalhando com meios de pagamentos digitais, entre eles bitcoins.

Em Estados Unidos, durante agosto de 2016, um ex-analista da CIA determinou que a organização palestina Ibn Taymiyyah Media Center, uma agência de noticias dos jihadista, estava recebendo pequenas doações em bitcoins. Apesar destas acusações, a realidade é que não se tem podido estabelecer uma conexão tão direta e definitiva entre os criptoativos e o terrorismo.

1.4 DINHEIRO DA DARKNET?

Muitos ainda tomam o Bitcoin como sinônimo de dinheiro da Darknet, alegando que funciona maravilhosamente para compras ilegais. Conforme o polemico entusiasta do ecossistema, Amir Taaki, bitcoin ganhou relevância graças a sua proliferação como método de pagamento associado á darknet, especialmente envolto em transações de compra-venda de drogas, algo que, se bem não é parte inerente de seu funcionamento, lhe permitiu posicionar-se como “uma arma potente” para a gente.

Eu diria que uma grande razão por a que Bitcoin se tornou tão cool e se fez tão interessante foi devido aos mercados de drogas (…) Bitcoin não chegou a onde está porque a gente poderia comprar café ou comprar meias afora de Internet. Chegou a onde está porque foi visto como uma arma potente que a gente poderia utilizar para impulsionar sua politica e sua ideologia.

Amir Taaki

Entusiasta e desenvolvedor de Bitcoin

E se bem em um começo se associava exclusivamente a delitos, já que mercados ilegais como Dream Market, ou Alpha Bay cresceram e proliferaram ao amparo de suas caraterísticas, bitcoin tem provado não ser a moeda ideal para os criminosos, que, ao utilizar uma rede pseudoanônima  como esta, tem ficado expostos em varias oportunidades. Alguns criminosos têm começado a utilizar outras moedas como Monedo ou Zcash para maior anonimato.

 

2. OS MELHORES USOS

Contudo, o uso que é dado ás ferramentas não depende delas senão das pessoas e estar interessado por os criptoativos não faz de você um criminoso, nem muito menos. Como já dissemos antes, a difusão do preconceito sobre os criptoativos não limita sua verdadeira gama de ação que, assim como tem permitido a incursão de criminais, também tem sido uma ferramenta para o bem que, sem fronteiras nem intermediários, pretende dar-lhe maior liberdade financeira aos usuários.

Os criptoativos abrem uma ampla gama de possibilidades, abrangendo desde dinheiro transfronteiriço á um meio de realizações de projetos humanitários e filantrópicos, entre muitos outros.

2.1 DINHEIRO SEM FRONTEIRAS

Um dos elementos mais caraterísticos dos criptoativos é que não tem fronteiras. Lá onde termina a jurisdição do Estado-nação, em onde seu símbolo monetário perde seus potencias de uso, lá onde é necessário trançar divisas para poder comer, os criptoativos erguem-se como uma fortaleza, toda vez que qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, sempre que tenha as ferramentas necessárias como uma carteira e Internet,  pode comprar e vender criptomoedas. Isto é ideal para colaborar com zonas afetadas por desastres naturais, tal e como aconteceu em México após o recente terremoto.

O próprio Taaki demonstrou essa potencialidade quando, decidiu “ajudar” a sua maneira no conflito de Síria, se trasladou até o terreno de combate para aportar seus conhecimentos, e inclusive tomar um fuzil. O iraniano, de 29 anos e especialista na criptografia, viajou a Síria em 2016 para ajudar a um grupo de curdos radicados em Rojava a realizar vários projetos associados a sua economia. Assim, da mão de Taaki, puderam realizar um campanha de crowdfunding para construir centrais produtoras de adubo e fertilizantes para a agricultura local, sem a intermediação de autoridades ou bancos. “Estão tratando de criar uma economia do povo. Para estabelecer uma economia descentralizada” explicou então.

 2.2 INVESTIMENTO

Diante a desvalorização da moeda nacional, alguns investidores de diferentes países tem decidido apostar forte por os criptoativos para assim proteger o valor de seu capital. Em países como Venezuela, em onde o bolívar, sua sinal monetária, vale menos que 1 satoshi, os criptoativos oferecem uma ferramenta de proteção significativa.

A nível institucional, as plataformas de uso massivo como Overstock, gigante da movida acionária em Estados Unidos, criou seu próprio braço criptográfico com tØ, uma plataforma que oferece ICOs que cumprem com as exigentes leis do mercado estadunidense, oferecendo um novo e regulado canal de inversão. Assim, os investidores estadunidenses, quem se foram impedidos de investir logo de que muitas ICOs se retiraram de território estadunidense por as regulações da SEC, podem volver a participar nestas rodadas de financiamento.

2.3 CONSUMO COTIDIANO (MEIOS DE PAGAMENTO)

O que têm em comum o Japão, a Rússia e a Argentina? Pois que em alguns estabelecimentos comerciais são aceitos os criptoativos como meio de pagamento para coisas tão simples como um hambúrguer de Burger King, um café, a eletricidade ou para a compra semanal.

Os criptoativos são um método de pagamento, e cada dia começam a tomar espaços que anteriormente estavam monopolizados por o dinheiro fiat. Em suíça se pode utilizar para pagar a universidade; a compra de ouro na Grã-Bretanha também é possível com bitcoins; inclusive o transporte marítimo no mar Báltico. E estes são só alguns exemplos.

2.4. FINANCIAMENTO

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Os criptoativos podem ser uma interessante ferramenta de financiamento.

Você está pensando em realizar um projeto, mas os mecanismos de financiamento tradicionais não são tão acessíveis? No criptoecossistema pode conseguir uma resposta útil, um esquema de financiamento que, prescindindo de intermediários, lhe dá uma especial proximidade aos investidores e aos desenvolvedores de projetos: as ICO.

As ICO têm arrecadado já cerca de 2.8 trilhões de dólares no 2017. Atualmente FileCoin detém o recorde de arrecadação, com mais de 250 milhões de dólares, seguido de perto por Tezos e EOS.

 

 

Qualquer pessoa com os conhecimentos técnicos mínimos necessários, um projeto bem estruturado e uma boa gestão das redes sociais e do posicionamento de sua marca pode realizar uma ICO. Ademais ao eliminar os intermediários bancários, as deduções e importes sobre os fundos e registar as transações associadas aos fundos utilizando blockchain, aumenta a transparência da arrecadação. Outras caraterísticas como o anonimato, o acesso rápido, a proximidade entre os clientes e os responsáveis do negócio, bem como a possibilidade de que a inversão renda rendimentos no mediano e largo prazo, tem convertido ás ICO no mecanismo de financiamento muito atrativo.

 

3. CADA CRIPTOMONEDA UM MUNDO DE POSSIBILIDADES

Apesar da dominância de bitcoin, existem centenas de criptomoedas com diversos objetivos e funções. Projetos que vão desde os jogos de vídeo até a criação de um novo modelo de consumo energético que empregue a energia solar, contam com seu próprio símbolo ‘monetário’ que, ademais de funcionar para a economia e o funcionamento interno demostram a ductilidade das criptomoedas como veículo de realização de praticamente qualquer projeto.

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Cada criptomoeda é um mundo em si mesmo

Se não dispomos de siacoins, não podemos aproveitar os benefícios de armazenamento distribuído que oferece Sia; se não possuímos ethers, não podemos acionar os contratos inteligentes de Ethereum, e assim, cada uma das plataformas conta com seu próprio token que permite acionar o sistema que oferece.

Assim, ao emergir, os criptoativos representam uma importante mudança de paradigma sobre o papel do dinheiro na sociedade, pretendendo prescindir de alguns atores como os bancos e intermediários que não parecem estar dispostos a ceder. De maneira que, apesar de que o dinheiro do futuro parece ter chegado já a nossas mãos, ainda falta tempo para aceita-lo.

De acordo com o citado Kaspersky sobre os criptoativos “em uns 300 anos, esta será uma coisa absolutamente incrível”. No entanto, a ferramenta existe na atualidade e luta para sustentar-se no tempo. No horizonte, medidas restritivas de maior peso, e a ameaça de que, de ter êxito, terminaram sendo atacadas com ferocidade por parte das autoridades a nível global são alguns de seus maiores obstáculos.

Países como a China ou a Rússia têm valorado controles mais expeditos e outros países como Japão tem mostrado grande apertura em quanto a sua adoção. De qualquer maneira, pareceria que qualquer país que decida dar-lhe a espalda a este florescimento prejudicaria seu próprio futuro, não só por o importante crescimento da capitalização do mercado dos criptoativos, senão por seu caráter inovador e os diversos benefícios a nível financeiro que trazem a nosso tempo.

 

Traduzido de: CriptoNoticias