Bitinka indicou em uma comunicação á CriptoNoticias, que decidiu realizar uma auditoria após receber notificações de seus usuários quem teriam detetado inconvenientes na criação e no cancelamento de ordens por meio das APIs.

A casa de câmbio de criptomoedas Bitinka assegurou que uma atualização em sua plataforma, feita em setembro de 2018, gerou problemas que foram aproveitados supostamente por “usuários maliciosos” em prejuízo de seu próprio sistema e de outras pessoas.

Através do seu porta-voz Matt Álvarez, o startup explicou que, perante o acontecido, devia ter apego aos seus termos e condições de uso para resguardar os fundos dos usuários afetados, com o qual se desestimam os reclamos de pessoas quem asseguram que tem fundos retidos e suas contas permanecem congeladas para operar.

“Nós fizemos um upgrade na plataforma de Bitinka em setembro do ano passado, colocamos novas opções para o benefício de nossos usuários. No entanto, ao fazer uma auditoria e por comunicações de nossos fiéis usuários, se detectaram problemas no cancelamento e criação de ordens por meio das APIs. Tal qual mostramos em nossos termos e condições, e para proteção dos fundos da gente prejudicada, começamos uma auditoria extensa para ver todos os movimentos dos usuários envolvidos”, assinalou Álvarez no correio eletrônico.

O representante da Bitinka enfatizou que na auditoria “se viram resultados de usuários maliciosos prejudicando a outros usuários ou explorando esses mesmos bugs (erros). Ao ter um crescimento exponencial, continuamos dia após dia observando os movimentos das transações dessas datas”.

Quando perguntado sobre o que foi feito para melhorar esta situação, o porta-voz informou: “se acrescentaram novas funções e melhorias na conexão (…) foi migrado um novo serviço de hot wallets para adicionar novas moedas e se está trabalhando em novos nós os quais estarão disponíveis no final do mês”.

Em relação aos sete depoimentos de pessoas que reclamam ter fundos retidos, e que foram compilados num artigo desta sexta-feira pela CriptoNoticias, a companhia pontuou : «Não posso comentar sobre nosso acordo comercial com a plataforma de pagamento, mas vimos as repercussões ».

Reclamações de usuários de Bitinka em aumento

Desde outubro de 2018, a CriptoNoticias recebeu e processou denúncias de usuários de Bitinka. Estes exigiram respostas sobre os fundos que eles mantêm nessa plataforma de troca e que eles não podem operar devido a que suas contas estão congeladas. Naquela época, a empresa rejeitou as reclamações ao dizer-lhes aos seus próprios usuários que “não podem reclamar bens que não fossem de sua propriedade”.

Perante o aumento das denúncias em países como Argentina, Estados Unidos e Peru, entre outros, a empresa marcou distância sobre os argumentos dos usuários e colocou sobre a mesa um aspecto não mencionado anteriormente: a adoção e o suposto pouco conhecimento sobre criptomoedas dos usuários.

“Este é um tema que vincula as diferentes opiniões dos usuários. Há coisas que escapam de nossas mãos: sem o conhecimento do assunto, a adoção das criptomoedas e a tecnologia das mesmas. Em um dos casos mencionados há usuários que fazem retiradas para endereços errôneos ou contratos inteligentes sem saber o que isso significa. Temos casos de usuários fazendo retiradas para endereços físicos de seus domicílios”, ressaltou o funcionário.

Jurisdição e direito internacional

Há seis meses, a situação entre a Bitinka e os usuários que se queixam de seu serviço escalou para um novo nível. Dois operadores argentinos consignaram uma demanda por USD 417.000 no Tribunal de comercio 24 de Buenos Aires, exigindo o reembolso de seus fundos. Dias depois que fosse divulgada a informação por CriptoNoticias, Bitinka asseverou que não tinham sido notificados da demanda interposta por Federico Gastón Bernini e Cristian Ezequiel Chagali.

A empresa assinalou que “em nenhum domicílio se recebeu demanda alguma”. Além, destacou que mantém escritórios nos países nos que opera (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, China, Colômbia, Espanha, Itália, Panamá, Peru e Portugal), mas que “a empresa tem seu domicílio legal em Hong Kong, onde foi legalmente constituída”.  Em relação com este ponto, se lhe consultou a Bitinka sobre os motivos que levaram á empresa sugerir que há que “entender-se” com Hong Kong sobre estes casos e não em escritórios locais. Sobre este assunto se indicou o seguinte:

“Não enviamos a entender-se no Hong King. Quando um processo judicial é iniciado, dependendo de quais sejam os países intervenientes, aplicam-se as regras do Direito Internacional Privado e há distintas regras para determinar a jurisdição e lei aplicável. Nesse caso especifico, a reclamação se for contra BitInka se deve notificar perante o domicílio legal da empresa e é de público conhecimento seu domicílio legal. Está nos termos e condições que aceita o usuário com o mesmo endereço desde a criação da plataforma em dezembro de 2014”.

Em relação às mudanças em seus termos e condições de uso, a Bitinka disse que “as mudanças nas condições de uso se realizam sempre para otimizar as mesma, fornecer maior transparência e evitar gerar confusões ao usuário. São estes últimos quem devem conhecer e aceitar os mesmos para operar”.

Sem mudança de nome

Bitinka desmentiu o já mencionado por Carlos Abuin, advogado dos demandantes argentinos, quem assinalou o mês passado para esta casa editorial, que a companhia “tinha que optar entre pagar as vítimas ou mudar o nome para seguir operando. Temos a certeza de que se fez o segundo”.

O startup enfatizou neste ponto: “Em outro artigo, é mencionado que o nome da empresa será mudado, algo totalmente falso”. É importante destacar que a CriptoNoticias solicitou comentários da Bitinka sobre as alegações do advogado em seu momento, mas os correios eletrônicos enviados a seu departamento legal nunca foram respondidos.

Outro aspecto que tem relação com Bitinka, mas não com os problemas com seus usuários, é que  através das redes sociais, tem começado a difundir-se denúncias de ex-trabalhadores, quem supostamente não lhes foram honrados com seus compromissos de trabalho. Esta situação não foi confirmada nem negada por Bitinka.

O conflito entre a Bitinka e seus usuários, agora também relacionado aos tribunais judiciais, longe de atingir águas menos turbulentas, parece mais agitado. Ambas as partes afirmam ter a razão com seus argumentos, o que poderia alargar uma saída deste episodio dentro do ecossistema das criptomoedas em América Latina.

 

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Traduzido de: CriptoNoticias.