As operações como o petro nos pontos de venda Biopago do Banco de Venezuela permanecerão suspensas até novo aviso enquanto a integração com a plataforma de subsídios Patria e a PetroApp for realizada, conforme informou a instituição financeira do estado nesta sexta-feira, 10 de janeiro.

O banco emitiu um comunicado oficial no qual explicou que deve continuar com o «processo de integração das plataformas BiopagoBDV, Patria instituciones e PetroAPP a fim de permitir a diversidade de operações e produtos no petro». O sistema para pagar com a chamada criptomoeda venezuelana foi temporariamente suspenso desde o passado 4 de janeiro e devia reativar-se neste sábado 11, logo de uma semana em manutenção.

O anúncio não especificou qual será a data para sua reativação, mas, de acordo com o que assinala o banco, uma vez concluído o processo de integração será informado «através dos canais oficiais». Acrescenta que nessa segunda fase de adequação, que também intervém a Superintendência Nacional de Criptoativos e Atividades Conexas (SUNACRIP), se esperam melhorias.

Os pontos de venda Biopago estão localizados em algumas lojas venezuelanas e serviram, durante os últimos dias de dezembro e primeiros dias de janeiro, para que os trabalhadores públicos e pensionistas os trocaram por produtos, como o bônus em petro (0,5 PTR) chamado “petroaguinaldo”, que o governo ofereceu no mês passado.

Não está claro quantos estabelecimentos estão habilitados para processar esses pagamentos, alguns sugerem que são 4.800, enquanto outras fontes asseguram que são mais de 27.000, enquanto o Banco de Venezuela diz que se realizaram operações em 7.422 lojas. O certo é que tampouco se processaram pagamentos em todos os negócios e se apresentaram falhas, o qual gerou no final de 2019 longas filas de pessoas em mercados e supermercados. Muitos acordaram cedo para trocar seus petros por alimentos manifestando ao mesmo tempo um descontentamento generalizado.

Inclusive, algumas pessoas entrevistadas pela CriptoNoticias, nos arredores de um estabelecimento comercial ao sul de Maracaibo, disseram que se o governo quis oferecer um beneficio, o lógico é entregá-lo em bolívares e não em algo que eles não nem sabem utilizar.

Cifras do banco e reclamações

Prévio á suspensão do serviço, o Banco de Venezuela fez um balanço sobre a quantidade de operações realizadas. Indicou que entre 18 de dezembro de 2019 e 3 de janeiro de 2020 se produziram 2.586.755 operações e que atenderam a um total de 1.233.093 usuários.

Embora não exista uma fonte independente para contrastar tais cifras, é possível deduzir a porcentagem de beneficiários que alcançaram o subsídio. Estima-se que no país sul-americano existam 4.545.447 pensionistas mais outros 2.800.000 empregados públicos, o qual totaliza 7.345.447 pessoas. Se for atendidos 1.233.093 usuários, conforme os dados da entidade estadual, o alcance do subsídio seria de apenas 17%.

Essas operações, conforme diversos economistas, foram as que causaram o incremento no preço do dólar paralelo na Venezuela nos primeiros dias do ano, uma situação que, logo da suspensão do Biopago, também gerou flutuações de 8% a 10% no preço da divisa por vários dias.

Adicionalmente, a situação para os comerciantes que aceitavam petros estaria complicando-se. Nas redes sociais se tem apresentado reclamações devido a que não foram pagos os fundos. Tal é o caso do usuário @Comput_Planet, quem indicou: «temos dois dias que não nos liquidam-pagam os fundos na conta #BiopagoBDV por favor nós os comerciantes precisamos dos bolívares para continuar trabalhando».

Outro usuário identificado como @darwin1101 também questionou ao Banco de Venezuela por não receber seus fundos. «Eles ainda não têm liquidado o dinheiro em minha conta jurídica das pessoas que usaram seus petros em meu estabelecimento, forçando-me a fechar e não cumprir com o pagamento aos provedores.»

O uso dos pontos de venda que aceitam pagamentos com petros seria o caminho mais rápido para que os beneficiários do subsídio, e aqueles que mantêm poupanças em petro na plataforma Patria, possam usar este projeto de criptomoeda. As outras modalidades são utilizar a Petro App, que requer o uso de um smartphone, ou enviar os PTR às casas de cambio autorizadas pelo governo nacional para intercambiá-las.

Dessa maneira, o governo de Venezuela está tentando promover a adoção do petro, antes que uma criptomoeda genuína como o bitcoin, por exemplo. Com isso tenta massificar seu uso e que os venezuelanos a utilizem em substituição do bolívar desvalorizado. Seu lançamento ocorreu em dezembro de 2017, quando Nicolás Maduro argumentou que sua criação era necessária para eludir às sanções econômicas dos Estados Unidos e obter novas formas de financiamento internacional.

O petro é uma suposta stablecoin, cujo preço foi fixado em USD 60, com um respaldo em reservas de petróleo, ouro e outras matérias primas, o que também foi questionado. Oferece-se como um mecanismo inovador, mas a verdade é que não é uma criptomoeda real, centralizada, sob a tutela de um governo, algo que não tem concordância com o ideal das criptomoedas e seu objetivo de eliminar aos intermediários e capacitar ás pessoas no gerenciamento de seus fundos.

 

Traduzido de: CriptoNoticias.