A Pundi X, uma empresa originária de Cingapura, está entre as mais recentes em unir-se á competição na Venezuela, na área de soluções tecnológicas, para que os comerciantes possam processar pagamentos com criptomoedas.

A CriptoNoticias conversou exclusivamente com Gabriel Falcone, diretor da filial venezuelana de Pundi X, a fim de conhecer as estratégias que está seguindo a empresa no país, assim como o estado atual das negociações da empresa com os novos parceiros comerciais.

De acordo com Falcone, para Pundi X Cingapura, Venezuela é um mercado extremadamente importante. Dado que as criptomoedas tem ido cobrando cada vez maior relevância na mídia e na atividade econômica de intercâmbio em meio da depreciação da moeda do curso legal no país, o bolívar, a empresa tem criado uma estratégia comercial para atender o mercado.

“Não nós preocupa a competência, na verdade só nos incentiva”, assinalou Falcone. O objetivo é ser capaz de gerar uma infraestrutura mínima utilizando os produtos XPOS, XWALLET e XPASS, criando uma solução que seja amigável com os usuários finais e os pontos de venda físicos parecem ser uma ferramenta útil para isso, ou ao menos isso sugere a recepção positiva pela filial venezuelana após o início das operações.

Competição: características para os venezuelanos

Embora isso pareça uma solução analógica, o surgimento da competência a nível empresarial para capitalizar neste mercado sugere que é uma necessidade real.

Um ponto fulcral de seu produto é que, apesar de que é um ecossistema fechado que só trabalha com seu próprio moedeiro e cartão, os pagamentos se realizam de maneira instantânea, em menos de 0.5 segundos, sem cobranças por comissões de rede ou comissões de mineração entre os pagamentos e transferências.

Não obstante convém assinalar que o modelo de negócio, da mesma forma que as plataformas de pagamento tradicionais, implicam o pagamento de comissões por serviços, que são cobradas ao comerciante e podem variar conforme cada caso.

O XPOS está pensado e desenvolvido para que a interface de uso e a experiência de usuário sejam exatamente iguais que nos pagamentos tradicionais pelo que qualquer comerciante, operador de caixa ou cliente possa usá-lo embora não tenha amplos conhecimentos dos termos como “nó”, “verificação”, “blockchain” ou “endereço de carteira”. O objetivo principal de Pundi X é trazer o uso de criptomoedas ao uso quotidiano.

Gabriel Falcone, diretor, Pundi X Venezuela

Para o operador do caixa, o equipamento resultará intuitivo, e a ideia é que seja o suficientemente eficiente como para reduzir as fricções ao usuário apenas num minuto por operação, disse Falcone. Os usuários poderão escolher entre bitcoin (BTC), ether (ETH), NXPS, o token de Pundi X e o BNB, o token da casa de câmbio asiática, Binance.

Ademais, o cartão supõe um incentivo para aqueles usuários que preferem fazer suas compras através desses dispositivos mas utilizando seus cartões, podendo deixar seu telefone celular em proteção.

A privacidade para Pundi X Venezuela

Falcone, quem é advogado, se mostrou extremadamente interessado em ficar claro que os usuários e comerciantes que decidam apostar por este produto, cumprirão com o processo de Conhece ao teu cliente (KYC), embora assinalasse que não se trata de uma afronta direta contra a privacidade.

Se entendermos esse conceito como a possibilidade de fornecer dados de informação pessoal seletivamente, parecesse que o processo de Pundi X poderia violar esse direito dos usuários. Não obstante, Falcone apontou que as vantagens quanto à celeridade e facilidades de pagamento (com o moedeiro e o cartão) têm um custo quanto á privacidade: os dados obtidos são resguardados pela empresa e só seriam revelados numa investigação legal contra algum dos usuários.

“Trata-se de cumprimento, não estamos ameaçando o espírito das criptomoedas, mas precisamos ser capazes de responder ás entidades competentes, os comerciantes e os usuários”, sublinhou Falcone.

Um elemento que destacou Falcone é que já existia uma comunidade de usuários dos produtos de Pundi X antes que esta filial começará sua expansão no país. Até 30.000 moedeiros XWALLET foram instalados no país, pelo que parecesse que aos venezuelanos lhes têm sem cuidado cumprir com os requerimentos do KYC para poder ter acesso aos produtos que estão ativando desde a filial venezuelana.

A meta global da empresa é instalar mais de 100 mil pontos de venda no mundo inteiro em 2021 e América Latina é uma área estratégica, assinala o executivo. De fato, ele menciona, a empresa de origem asiática tem presença na região desde há um ano. Venezuela tem um potencial importante, explicou Falcone:

A Venezuela está entre os 5 países com o maior volume de ativos de criptoativos pelo que é um mercado muito interessante para uma plataforma destas características e também as condições gerais beneficiam a adoção desta plataforma por parte do público que a vê como uma solução real para os problemas quotidianos que se apresentam no momento de pagar, oferecendo segurança, velocidade e resguardo do valor no dia a dia dos consumidores e comerciantes.  

Gabriel Falcone, diretor, Pundi X Venezuela

O executivo da empresa venezuelana foi claro ao dizer que estão avançando na instalação de seus XPOS nas 49 lojas da loja varejista, Traki a nível nacional. Apesar de que não deu detalhes, assinalou que sua estratégia de expansão inclui cadeias comerciais e estabelecimentos de distintos itens como alimentos e bebidas, roupa e calçados, turismo, restaurantes, cadeias de farmácias, entre outros.

“O plano a curto e longo prazo é fornecer uma plataforma alternativa de pagamentos que permita aos venezuelanos utilizar seus criptoativos como mecanismo e intercâmbio real nas ruas”, pontuou Falcone.

Falcone explicou que os venezuelanos interessados ​​em obter seu cartão XPASS só devem solicitá-lo através do portal web: pundix-venezuela.com. Além, assinalou que os comerciantes que tenham o XPOS também servirão como ponto de distribuição de cartões para os clientes.

 

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Traduzido de: CriptoNoticias