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As entidades reguladoras dos Estados Unidos relataram um total de 90 casos de fraude com criptomoedas nos últimos dois anos. Após essas investigações, foi possível recuperar cerca de 36 milhões de dólares perdidos; uma montante que, de acordo com fontes de Wall Street Journal (WSJ), estão longe de representar uma porção majoritária do dinheiro envolvido neste tipo de crimes.
O jornal de Nova York destacou que é muito difícil saber quanto dinheiro foi roubado nos esquemas fraudulentos de criptomoedas, os quais contemplam ICOs farsas, phishing e esquemas piramidais. Não obstante, as autoridades – entre as que se poderia contar a Comissão de Valores dos Estados Unidos (SEC) e a Comissão de Comércio de Futuros e Produtos Básicos (CFCT)-declararam que a quantidade recuperada é insignificante comparada com as perdas que tem tido o criptomercado na mão de hackers vigaristas nos últimos anos.
Conforme um estudo realizado no mês de abril pela Crypto Aware, estima-se que nos primeiros meses de 2018 se perdeu um total de 690 milhões de dólares em esquemas fraudulentos relacionados com criptomoedas. O montante mencionado representa um 40% do total de perdas que tem registrado o mercado de criptoativos desde 2011, que fecha com um número redondo de 1.700 milhões de dólares.
Esta enorme quantidade de dinheiro possui em perspectiva os 36 milhões de dólares recuperados pelas autoridades estadunidenses e constata que só um grupo muito pequeno de investidores tem sido capaz de recuperar o seu dinheiro, por mais que se tenham investigações abertas e atividades de monitorização a 70 criptomoedas do mercado.
Em meio desse notável insucesso, as autoridades afirmaram que os fundos têm sido difíceis de rastrear devido á “natureza anônima” das criptomoedas, uma privacidade que, embora apresente suas dificuldades não é possível desvendar.
No artigo de WSJ também se constatou que os esquemas fraudulentos tiveram um comportamento específico que se reflete no mercado de criptomoedas. Por exemplo, a investigação mostrou que houve menos casos de fraude quando o preço de Bitcoin se encontrava em seu maior auge, assim como se registrou um aumento de atividades fraudulentas na temporada de mercados de baixa.
Dita conclusão baseou-se no fato de que tão só em 2017, o ano em que se relatou um constante aumento no preço das criptomoedas, os reguladores estadunidenses apresentaram apenas 4 casos de fraude em todo o ano. No entanto, para este 2018 se tem apresentado os 86 casos restantes, com 5 investigações abertas apenas no mês de novembro.
FRAUDE E MAIS FRAUDE
BitConnect e Centra Tech têm sido dois dos casos mais famosos de Ofertas Iniciais de Moeda (ICO) falsas em 2018. Ambos com demandas processadas nos tribunais dos Estados Unidos. A BitConnect arrecadou um total de 2,8 bilhões de dólares em sua campanha promocional, enquanto a Centra Tech ganhou 32 milhões de dólares envolvendo figuras do tamanho do boxeador Floyd Mayweather e o produtor DJ Khaled em seu escândalo.
Outra fraude que se desvelou no mundo das criptomoedas em 2018 foi o da empresa Shopin.com. A firma realizou uma ICO fraudulenta que coletou 42 milhões de dólares e poderia implicar uma sentença de 15 anos de prisão para seu CEO. Por outro lado, Homero Joshua Garza, CEO de Gaw Miners, também se encontra pagando uma sentença de 21 meses de prisão por fraude com criptomoedas. Estes são alguns dos muitos casos aos que foram abertas investigações por possíveis práticas criminosas.
Além desta entrevista com as autoridades reguladoras, o Wall Street Journal publicou em 27 de dezembro um artigo baseado numa investigação comparativa entre 3.291 Livros Brancos. Os documentos técnicos pertencem a distintos projetos de criptomoedas que anunciaram suas ICO nas plataformas ICOBench.com, Tokendata.io e ICORating.com. Os resultados revelaram que 16% dos documentos analisados mostram sinais de plágio entre si.
Os repórteres fizeram uma análise dos documentos promocionais desses projetos, nos quais compararam um grupo prototípico de orações com palavras únicas entre os distintos Livros Brancos (White papers) que existe na Internet. Desta forma, eles confirmaram que mais de 10.000 orações aparecem duas ou mais vezes entre a totalidade dos escritos analisados e que centenas desses projetos mostram sinais de atividades fraudulentas.
Os documentos analisados levantaram suspeitos porque oferecem ganhos enganosos e diminuem os riscos da inversão em criptoativos, outros apresentam pessoas falsas nas equipes de trabalho e irregularidades que foram denunciadas pelas autoridades como rastros de uma possível oferta fraudulenta.
Imagem destacada de designer491 / stock.adobe.com
Traduzido de: CriptoNoticias.
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