Os bancos espanhóis Santander, Bankia, BBVA e CaixaBank anunciaram em 13 de dezembro que iniciaram a primeira prova de conceito setorial para implantar uma plataforma interbancária do que chamam «pagamentos inteligentes» (smart payments), cujo objetivo é habilitar a execução de pagamentos por meio de o uso de uma rede blockchain privada.

O projeto conta com a participação do laboratório Blockchain de Grant Thornton, que atua como assessor tecnológico e é coordenada pela Iberpay, a companhia espanhola que administra o sistema nacional de pagamentos (SNCE) especializada no intercâmbio, compensação e liquidação de operações entre entidades financeiras.

Uma publicação no site da Iberpay inclui um gráfico no qual ilustra que a iniciativa tem como objetivo facilitar as transferências imediatas desde contratos inteligentes para executar e programar pagamentos de maneira automática, oferecendo melhorias em segurança e rastreabilidade, bem como o cumprimento das normativas vigente nessa matéria.

A Iberpay ilustrou que a iniciativa visa facilitar as transferências imediatas desde contratos inteligentes para programar pagamentos automáticos. Fonte: Iberpay.

A prova de conceito iniciou o passado mês de outubro e está previsto que durem seis meses. Inclui um piloto baseado em um caso de negocio fictício implantado na rede, que já foi implementado e que conta com seis nós distribuídos e gerenciados por cada entidade participante.

As provas de conceito ou PoC são implementações muitas vezes resumidas ou incompletas que se aplicam para adaptar e melhorar as idéias, de maneira que tenham um maior potencial de aceitação no mercado.

Com os chamados “pagamentos inteligentes”, o mundo financeiro através dos bancos poderia incorporar outros serviços de valor agregado em cada transação, como cartas de crédito, seguro de envio, proteção de créditos, seguro de exportação e logística.

Embora todos os serviços estejam obviamente disponíveis hoje, podem ser difíceis de obter e gerenciar individualmente. No futuro, é possível que os bancos tenham a capacidade de obter automaticamente os serviços apropriados e inseridos na transação de pagamento. Isto não só poderia fazer que o pagamento fosse mais rápido, senão que toda a transação seja mais eficiente.

Tradicionalmente, os bancos têm oferecido seus serviços internamente. Na medida em que avançamos para esse tipo de pagamentos com blockchain, os bancos deverão reposicionar-se como uma plataforma ou ecossistema que contenha todos os diferentes tipos de serviços que seus clientes poderiam precisar. Para fazê-lo, eles vão a necessitar associar-se com outros provedores, em particular os jogadores emergentes da FinTech.

No momento, há alguns obstáculos para alcançar pagamentos registrados numa blockchain privada que, por exemplo, utilize tokens ou alguma criptomoeda. O primeiro é regulatório, embora os lugares onde os pagamentos comerciais sejam altamente regulamentados, como a Europa, tem visto um impulso mais consistente para o digital. Outro obstáculo é segurança cibernética. Embora essa seja uma grande ameaça na indústria dos pagamentos, a digitalização fornece a oportunidade de introduzir novas ferramentas e tecnologias para combater eficazmente essas ameaças.

¿Bancos em evolução?

As soluções baseadas em registros das cadeias de blocos têm o poder de revolucionar a indústria financeira e bancária, portanto poderiam contribuir a melhorar a escalabilidade das transações de pagamentos. Há algum tempo, que algumas das entidades financeiras vêm dando sinais de que estão explorando as possibilidades que oferece o ecossistema blockchain, aonde vem capacidade de permitir operações de maneira confiável e irreversível, sem a necessidade de utilizar um intermediário. Esse tipo de ferramentas poderia simplificar as transações interbancárias, dizem eles.

Por exemplo, BBVA tem manifestado grande interesse no desenvolvimento de projetos relacionados com o uso de redes com registros em uma blockchain. De fato, em sua página web publica, de maneira constante, notas educacionais relacionadas com o ecossistema. Por sua vez, o Santander finaliza o lançamento de uma plataforma de transferência internacional. Ao mesmo tempo em que, investe e frequentemente anuncia avanços relacionados com sua experimentação no desenvolvimento de soluções baseadas em uma rede blockchain.

Ademais o Bankia criou um laboratório em seu acelerador de startups, enquanto o CaixaBank participa junto com uma Telefônica na Alemanha em um projeto relacionado a desenvolvimentos focados ao uso de blockchains.

Nessa ordem de idéias, representantes do setor financeiro espanhol tem manifestado em repetidas ocasiões que colaboraram durante dois anos com o objetivo de descobrir como os trilhos financeiros podem ser atualizados com essa tecnologia. De fato, um total de 37 bancos latino-americanos participam na rede interbancária baseada numa blockchain que desenvolve o banco de investimento estadunidense JPMorgan Chase.

 

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Traduzido de: CriptoNoticias