Na história do Bitcoin se tem registrado os casos de moedeiros com chaves privadas irrecuperáveis, um mal que poderia ter sua cura graças à atualização mais recente de Trezor. A equipe do SatoshiLabs lançou, nesta semana, um padrão de segurança que mitiga os riscos de perder o acesso a um moedeiro sem custódia.
A nova opção de segurança está habilitada para todos os moedeiros Trezor Modelo T, assinala a equipe de SatoshiLabs num comunicado de imprensa. O mecanismo é chamado Shamir Backup ou SLIP-0039 e tem o objetivo de oferecer uma maneira mais segura de auto-custodiar chaves privadas.
O padrão é baseado num algoritmo de Adi Shamir, um criptógrafo israelense que publicou seu «sistema de compartilhamento de segredos» no ano 1979. A teoria de Shamir aponta que um segredo pode ser compartilhado de forma segura se a informação é dividida entre varias partes. Dessa maneira, o grupo de pessoas que possuem ditos fragmentos poderá reconstruir o segredo sem filtrar informação.
O bitcoin, assim como outras criptomoedas, tem a peculiaridade de ser dinheiro auto-custodiado. Para realizar uma transferência nesta rede, você não precisa da ajuda de terceiros ou de um banco. Dessa maneira, o usuário tem total poder sobre seu dinheiro, evitando a censura e aumentando sua privacidade.
No entanto, grandes benefícios levam consigo grandes responsabilidades. Ao eliminar aos terceiros, o usuário tem que armazenar e proteger suas chaves privadas sob seu próprio risco, já que é o acesso direto aos seus criptoativos. A perda da semente de recuperação é um dos riscos mais comuns no ecossistema. Dois anos atrás, um homem perdeu cerca de 30.000 dólares em bitcoins, logo de esquecer a chave privada de seu moedeiro.
Como funciona?
Como as chaves privadas são um segredo, o padrão trabalha sob a mesma máxima do algoritmo de Adi Shamir. O mecanismo permite dividir a chave privada de um endereço de criptomoedas em vários arquivos.
Desta forma, no momento de criar um moedeiro, nos hardware Modelo T, os usuários não terão uma única semente de recuperação senão um grupo de arquivos compartilhados. Cada um dos recursos possui uma sequência de mais de 20 palavras. O cliente pode estabelecer o número de arquivos compartilhados que se necessitam para recuperar o moedeiro.
Os desenvolvedores assinalam que se podem gerar até 16 arquivos compatíveis, embora seja recomendável definir um limite de 2-3 ou 3-5 arquivos para recuperar a carteira. Os usuários podem compartilhar a informação fragmentada com familiares ou pessoas de confiança. Igualmente podem ser respaldadas em computadores, cofres ou esconderijos em casa.
O padrão Shamir Backup é de código aberto, conforme aponta e equipe de SatoshiLabs. Dessa forma, os desenvolvedores do ecossistema podem revisá-lo e outras empresas adotá-lo para seus moedeiros.
Imagem destacada por Lukas Gojda/stock.adobe.com
Traduzido de: CriptoNoticias.

